Cicatrizes
A Osteopatia pode ajudar

Após uma lesão de tecidos moles (pele, músculos, etc.) de origem traumática ou cirúrgica, o corpo humano tenta reconstruir os elementos danificados, com o objetivo de os unir e tomar funcionais novamente. No entanto, essa reparação deixa uma marca, uma cicatriz, já que o corpo não consegue repor exatamente os tecidos como estavam antes da sua separação.

Este tecido cicatricial pode alterar o funcionamento do corpo humano e, por consequência, influenciar o seu estado de saúde, uma vez que a sua presença pode provocar tensões, aderências ou queloides e até alterações de sensibilidade.


Induzir o processo de cura natural
O sistema musculoesquelético totaliza cerca de 60% do corpo humano e, por isso, é onde a osteopatia atua, já que esta se baseia na ligação entre as estruturas do corpo humano e as suas respetivas funções, visando o seu equilíbrio interno (homeostasia).

O raciocínio osteopático baseia-se na presença de disfunção somática. Esta é definida como sendo qualquer comprometimento ou alteração na estrutura corporal (sistema somático), isto é, estruturas esqueléticas, articulares, miofasciais e elementos vasculares, linfáticos e nervosos associados.

Utilizando técnicas manuais de tecido mole e manipulativas (técnicas osteopáticas), o osteopata procura induzir o processo de cura natural do corpo.

O tecido conjuntivo (fáscia ou tecido conectivo) é a base do nosso ser, pois é ele que mantém a coesão de todo o corpo, percorrendo-o da cabeça aos pés, ligando e isolando todas as suas partes.

Sendo uma estrutura continua, a presença de uma cicatriz provoca deformações temporárias ou permanentes que se propagam em várias direções, à semelhança do que acontece a uma camisola onde uma malha é puxada.

Assim, o tecido cicatricial pode restringir um movimento ou uma função em qualquer ponto do corpo e o tratamento deve centrar-se na libertação destas restrições fasciais, na quebra de aderências e no aumento da circulação linfática e sanguínea.


Questões de ordem prática
Por ser um tratamento pouco conhecido, importa esclarecer algumas questões de ordem prática:


Como se processa a consulta e qual é o método utilizado para o tratamento?
A osteopatia usa apenas técnicas manuais. Neste caso, técnicas de libertação da fáscia, pois são seguras e não requerem nenhum equipamento particular. O tratamento só poderá ser aplicado após análise do caso, tendo em consideração vários fatores, nomeadamente queixas do paciente, localização, tipo e causa da cicatriz.


O tratamento é doloroso?
Normalmente, o tratamento é perfeitamente suportável, já que as técnicas utilizadas são pouco traumáticas e/ou invasivas, sendo o nível de dor controlável e doseável.


O resultado é positivo?
Normalmente, os resultados são positivos e rapidamente visíveis e/ou sentidos.


O efeito mantém-se ou é apenas temporário?
Pela experiência adquirida, o tratamento é eficaz tanto a nível interno (aderências, limitação de movimentos, alterações de sensibilidade, etc.), como a nível externo.

É de salientar que o aspeto estético melhorado é apenas uma consequência do trabalho feito a nível interno, pois as razões que levam o paciente a recorrer ao tratamento são, normalmente, as queixas a nível interno.
No entanto, há casos em que se justifica o tratamento com fins meramente estéticos, pois a presença de cicatrizes pode provocar problemas psicológicos, tais como:

Utilizando técnicas manuais de tecido mole e manipulativas - técnicas osteopáticas, o osteopata procura induzir o processo de cura natural do corpo

Ansiedade;
Distúrbios do sono;
Depressão;
Perda da autoestima.

Existem outros métodos para tratamento de cicatrizes. Porém, as técnicas aqui explicadas são eficazes, seguras e bem suportadas, não necessitando de nenhum equipamento particular, para além das mãos do osteopata.

Assim, faz todo o sentido salientar e divulgar o papel da osteopatia no tratamento de cicatrizes para eliminar ou diminuir as consequências nefastas da sua presença no organismo.


Artigo publicado na Revista Saúde e Bem Estar, Maio, 2018